O projeto ArtCraft e a revolução dos clones feitos com IA
Em outubro de 2026, um programador conhecido como Brandon Thomas (sob o nome ‘Crafting Apps’) publicou um conjunto de sete aplicações gratuitas e de código aberto que recriam funcionalidades do Photoshop, Illustrator, Premiere Pro, After Effects, Lightroom, InDesign e Acrobat. O projeto chama-se ArtCraft, é escrito em Rust, foi desenvolvido com assistência do modelo de IA Claude Opus 5.5 e está a gerar um debate acalorado sobre o futuro do software criativo e do modelo de subscrição.
As sete aplicações e os seus equivalentes Adobe
O ArtCraft inclui sete ferramentas que espelham as principais aplicações da Adobe Creative Cloud:
- PhotoCraft → Photoshop
- VectorCraft → Illustrator
- FilmCraft → Premiere Pro
- EffectCraft → After Effects
- LightCraft → Lightroom
- DesignCraft → InDesign
- PdfCraft → Acrobat
Todas estão disponíveis em código aberto sob licenças MIT e Apache 2.0, e podem ser compiladas para Windows, macOS, Linux e WebAssembly.
Porque é que um programador decidiu recriar ferramentas comerciais?
A motivação do criador é simultaneamente ideológica e prática. Por um lado, a Adobe representa o modelo de subscrição que muitos utilizadores consideram excessivamente caro — a Creative Cloud custa actualmente mais de 60 euros por mês na sua versão completa. Por outro lado, o desenvolvedor quis demonstrar que a IA generativa pode acelerar significativamente a criação de alternativas funcionais a software comercial, desafiando a premissa de que aplicações complexas exigem equipas enormes e anos de desenvolvimento.
Como a IA e o Rust aceleraram o desenvolvimento
O projeto foi programado em Rust com assistência massiva do Claude Opus 5.5, um modelo de IA da Anthropic. Segundo o autor, a IA permitiu gerar grandes blocos de código funcionais a partir de descrições de alto nível, reduzindo o tempo de desenvolvimento de anos para meses. A escolha do Rust não é casual: oferece segurança de memória, desempenho próximo do nativo e compilação multiplataforma, incluindo WebAssembly para versões de browser.
O que já funciona e o que ainda falta
As aplicações estão em fase inicial (alpha) e, como vários testes independentes revelaram, ainda estão longe de substituir as ferramentas profissionais. A Creative Bloq testou as aplicações e reportou que, embora as interfaces sejam convincentes e as funcionalidades básicas estejam presentes, faltam milhares de pormenores que os profissionais exigem: filtros avançados, gestão de cores profissional, suporte para plugins, formatos de ficheiro complexos e desempenho em ficheiros de grande dimensão.
No entanto, o que já funciona é impressionante para um projeto tão recente: edição básica de imagem, manipulação de vectores, timeline de vídeo simplificada, edição de PDF e exportação em formatos standard.
Poderá o modelo de subscrição ser ameaçado?
A curto prazo, a resposta é clara: não. Profissionais criativos não vão trocar o Photoshop por um clone alpha só porque é gratuito. Mas a médio prazo, o projeto ArtCraft representa algo mais profundo: a demonstração de que a barrreira de entrada para criar alternativas viáveis a software comercial está a descer drasticamente. Se a IA continuar a evoluir ao ritmo actual, dentro de um ou dois anos estas alternativas podem atingir um nível de maturidade que comece a incomodar seriamente a Adobe e outras empresas de software por subscrição.








